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sábado, 1 de dezembro de 2012

† Carta à Ana I e FDS †

† CARTA À ANA I †

Querida amiga, nos conhecemos quando eu tinha 13 ou 14 anos. E nessa época nem ao menos sabia que poderia lhe chamar por um nome. Fomos apresentadas em um daqueles dias terríveis em que o mundo faz com que você perca a fé. Eu não tinha amigas, odiava a todos com a mesma intensidade que odiava a mim.
Eu era a garota marginalizada, a estranha. Aquela que sempre leva a bolinha de papel com cuspe nos cabelos, que leva empurrões ao som da detestável melodia infantil "gorda-baleia, saco de areia...".
Éramos iguais nesse mérito: todos nos olhavam torto e cochichavam coisas obscenas a nosso respeito. Não precisou muito para que fossemos apresentadas e você, cúmplice, sussurrasse ao meu ouvido que o mundo me odiava por que eu me transformei em uma criatura repugnante: um corpo desforme, vaidades de um menino, roupas de criança, cabelos desgranhados
  Que amiga detestável você foi. Como ousava dizer tudo aquilo que até meus queridos pais se negavam a enxergar? Uma avalanche desmoronava sobre mim e não via para onde correr, então me deixei soterrar, aceitando o conforto da escuridão. Querida amiga, eu queria te matar.
No escuro fiquei imóvel por semanas, encasulando a aberração que eu era. Mesmo com as janelas do meu quarto fechadas, você ainda invadia minha alma para atormentar-me na cama. Sua voz era um soluço eterno: monstro, monstro, monstro...
Criei forças e encarei seus olhos amarelos: amiga me diga o porque de tanta amargura?
" Ahhh, criança! Não tenho em mim nenhuma amargura. Não vê o mundo? Ele é cruel e te devora. Não vê como está apetitosa? É um prato cheio para toda a agressividade dos jovens! São idiotas assim que eles procuram para fazer a próxima piada sem se importar o quanto tudo isso dói em você. É uma porca gorda e eles estão ansiosos para petiscar você na próxima ceia. E o que você faz? Sente dó de si enquanto chora e toma sorvetes. Por quanto tempo será a vítima do mundo? Por quanto tempo deixará que eles tenham o controle de sua vida?".
Ana me despertou naquele momento, me arrancando pelos cabelos da cama, escancarando todas as janelas. Começava uma revolução. 

Te amo, minha odiável amiga.
† Porcelain †

Espero que tenham gostado da crônica. Quero fazer uma pequena série autobiográfica falando sobre mim e minha longa história com a Ana. Acredito que alguns possam se identificar.
 
Agora a parte dois do post ;) 

Não sei se amo ou odeio os fins de semana. Posso passar mais tempo com meu amor e temos certamente programas mais interessantes, como cinema, viagens e barzinhos. Mas todos esses programas envolvem algo em comum: Comida. Muita Comida. Continentes de Comida.

Obviamente meu namorado não sabe sobre a Ana e estou certa que isso o zangaria como a qualquer um que nos ame. Tento disfarçar acompanhando-o no junkfood nestes dias mas sei que isto é o que atrasa o resultado de meus muitos esforços. Esta é minha encruzilhada.


Como não bastasse a vigilância do amado, sábado foi o aniversário do meu pai, o que inclui voltar a casa da minha querida e gulosa família. Riam da tragédia alheia: minha mãe é doceira. Estou agora trancafiada no paraíso dos confeitos de chocolate. Tirem-me daqui! Nunca precisei de tanto controle e distração.

FORÇA PORCELAIN.

* Estou viajando, essa é uma publicação agendada.